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sábado, 24 de agosto de 2013

Viajar pela leitura

Clarice Pacheco

Viajar pela leitura
sem rumo, sem intenção.
Só para viver a aventura
que é ter um livro nas mãos.
É uma pena que só saiba disso
quem gosta de ler.
Experimente!
Assim sem compromisso,
você vai me entender.
Mergulhe de cabeça 
na imaginação!

domingo, 18 de agosto de 2013

Cortar o tempo

Carlos Drummond de Andrade

Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente

domingo, 28 de abril de 2013

Eu é que pergunto para a caneta

Gabriel O Pensador 
Minha alma quando escreve
Tem a consciência leve
A caneta não faz greve
A caneta é que me leva

Ao planeta mais distante
A luneta mais possante
Malagueta mais picante
É a caneta quando escreve

Feito nave me transporta
Vira chave, abre a porta
Cerra grade, quebra, entorta
Sua tinta me liberta.

sábado, 30 de março de 2013

O Relógio


Cassiano Ricardo
Diante de coisa tão doida
Conservemo-nos serenos

Cada minuto da vida
Nunca é mais,é sempre menos

Ser é apenas uma face
Do não ser,e não do ser

Desde o instante em que se nasce
Já se começa a morrer

sexta-feira, 22 de março de 2013

Ismália


Alphonsus de Guimaraens
Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...


As Pombas


raimundo correia
Vai-se a primeira pomba despertada...
Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas
Das pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sangüinea e fresca a madrugada.

E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais, de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada...

Também dos corações onde abotoam
Os sonhos, um a um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;

No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais.


terça-feira, 12 de maio de 2009

cavalo marinho

Cavalga cavalo marinho,
me ensina o caminho
que devo tomar.

Solta as crinas no vento,
cavalga no vento,
cavalo do mar.

Cacaso

quinta-feira, 26 de março de 2009

A Bailarina

















A bailarina,
como frágil lanparina,
como pequeno colar,
faz do ar sua casa,
sua estrada pontilhada
de água.

Entre uma estrela e outra
a bailarina descansa.
Ali onde os humanos
não podem ir,
só os loucos,os loucos
e os que sabem
que com um desejo
se constrói um planeta.

Roseana Murray

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

As Borboletas


Vinícius de Morais
Brancas,
Azuis,
Amarelas
e pretas.
Brincam
na luz
as belas
Borboletas

Borboletas brancas,
são alegres e francas.

Borboletas azuis,
gostam muito de luz.

As amarelinhas,
são tão bonitinhas.

E, as pretas então...
Oh! que escuridão